
Aqui ficam as perguntas feitas pela jornalista Sónia Morais Santos, para a reportagem "Emagrecer sem ajuda", publicada na revista "Notícias Magazine", de 12 de Junho de 2011:
- Que idade tens?Faço 34 anos no dia 27 de Julho.
- Quantos quilos tinhas e quantos tens agora? Quando iniciei o processo, pesava 179,1 kg! Não tinha a noção de que estava tão pesada…Já não subia a uma balança há algum tempo e, na minha cabeça, devia estar a pesar uns 150 kg.
Actualmente, peso 116, 1 kg (de salientar que meço 1.85 cm de altura).
Já perdi 63 kg. Há ainda um longo caminho a percorrer, mas estou no caminho certo e tenho a certeza que vou conseguir!
- Como e quando decidiste que não podias continuar assim? Sabes o dia certo?
Sempre tive consciência de que, algum dia, teria que tomar uma decisão, definitiva, em relação ao meu peso.
Ao longo da vida, já fiz muitas dietas, e todas elas com excelentes resultados…Mas acabei sempre por recuperar os quilos perdidos.
Isso, foi-me tornando uma pessoa frustrada, derrotista e sem vontade de ir à luta. Este sentimento de “não ser capaz” reflectiu-se em todos os aspectos da minha vida, desde o relacionamento com as pessoas até à minha vida profissional. Cheguei a estar 4 anos desempregada, por vergonha de ir às entrevistas de emprego.
Em Setembro do ano passado, comecei a acompanhar o “Biggest Loser” americano, na Sic Mulher, e deu-se o “clic”.
Comecei a comentar, em casa, que queria inscrever-me num ginásio, mas não tinha coragem…ou melhor, tinha muita vergonha!
No dia 12 de Outubro, a minha irmã mais nova, a Sílvia, praticamente me arrastou até à recepção do ginásio.
Disse-me: “tens vergonha? Vergonha devias ter de estar nesse estado e não fazeres nada!”.
E assim foi, inscrição feita, avaliação física marcada para dia 18 de Outubro, a segunda-feira seguinte.
- Como é que te sentias quando tinhas aquele peso todo?Deslocada. Nunca me sentia bem em parte alguma, mesmo entre amigos, ou em casa, nunca estava suficientemente à vontade.
Nos cafés, nas salas de aula, procurava sempre o lugar mais escondido, longe dos olhares das pessoas.
Quando ia a uma esplanada, tinha que escolher uma que não tivesse cadeiras de plástico…
No cinema, tinha que levantar um braço à cadeira, para me pode sentar…Nos transportes públicos, ocupava 2 lugares.
Aparentemente, era uma pessoa feliz, bem-disposta, divertida…e brincava com as situações. Muitas vezes para que as pessoas que me rodeavam não se sentissem desconfortáveis, com algum comentário menos simpático.
E sentia-me feia, incapaz, triste, revoltada, incompreendida…
- Como é que chegaste a ficar tão gordinha? Porquê? Acaba por ser um ciclo, comia porque estava nervosa…depois enervava-me porque tinha comido…e voltava a comer ainda mais.
“Perdido por 100, perdido por 1000…”. E deixamo-nos ir…e pensamos: mais quilo, menos quilos…
Nunca tive problemas de mobilidade e não se pode dizer que era uma pessoa totalmente sedentária, porque sempre andei muito a pé. Por isso, sempre me mexi bem e isso não era, para mim, um problema ou algo que me levasse a fazer dieta.
Depois, também nunca tive problemas de saúde ligados à obesidade e, de certa forma, sentia-me uma gorda “saudável”.
Lá no fundo, sabia que, mais cedo ou mais tarde, esses problemas acabariam por surgir...mas quando surgissem, tomaria uma decisão.
Até que me apercebi, que o pensamento não devia, nem podia, ser esse. E consciencializei-me que devia agir, antes dessas complicações surgirem.
Afinal, nenhum gordo é saudável, porque a própria obesidade já é uma doença grave.
- E o que fizeste para mudar?Naquela segunda-feira, 18 de Outubro, dirigi-me ao ginásio para ter avaliação física com o Personal Trainer Gonçalo Fonseca, que tem formação em Reabilitação no Desporto e experiencia em controlo do peso.
Ia motivada, mas cheia de vergonha e com muito medo de fracassar, mais uma vez.
O Gonçalo fez-me subir à balança e deparar-me com o número 179,1! Arregalei os olhos e não consegui dizer nada… Disse-me ele: vieste no momento certo! É agora! Tiveste a coragem de dar o primeiro passo e o mais difícil já está feito!
A partir desse dia, treino, sob a sua orientação, 6 dias por semana.
Estar-lhe-ei eternamente grata por tudo o que me ajudou a alcançar. O Gonçalo é um grande profissional e um dos pilares do meu sucesso. Costumo dizer que 50 % do meu sucesso é dele e que, por isso, neste momento, ele já perdeu 31,5 kg.
Faz-me exigir sempre mais de mim. Faz-me ir ao limite e superar-me a cada treino. E isso tem sido fundamental neste processo. Porque hoje, me sinto capaz de vencer qualquer obstáculo ou contrariedade que possa surgir.
- Fala-me detalhadamente dessas mudanças: alimentação (o que fizeste) e ginástica (idem). Em relação à alimentação, foram abolidos os fritos, os doces, os enchidos, os refrigerantes.
Bebo cerca de 2,5 l de água por dia.
Plano alimentar:Pequeno-almoço: Uma chávena almoçadeira de leite (1/2 gordo) + um pão com queijo (um fatia, até 40% gordura);
Meio da manhã: uma peça de fruta ou um iogurte + 3 bolachas Maria;
Almoço: sopa + meio prato de legumes + 150 g. de carne branca/peixe + 4 colheres de feijão/arroz/massa/ervilhas ou 2 batatas pequenas;
Lanche: 1 pão com queijo + 1 iogurte magro ou 1 peça de fruta;
Antes do ginásio: 1 banana ou 1 barrita de cereais;
Jantar: igual ao almoço;
Ceia: um copo de leite + 3 bolachas Maria.
Quanto à ginástica:
Treino 6 dias por semana. É incrível como já não me sinto bem em faltar ao ginásio.
Quando treino sozinha, faço essencialmente cardio (passadeira, elíptica, bicicleta, remo); quando treino com o Gonçalo, seguimos o plano que ele preparar para o dia. E é sempre “a doer”.
Quando entrei para o ginásio, mal me equilibrava na passadeira. Andava a 3 km/hora e, ao fim, de 15 minutos já estava KO. Agora, corro a 8.5 km/hora e faço 5 km em 26 min. Para mim, é uma grande vitória.
No domingo passado, participei na Corrida da Mulher, no Porto, e consegui fazer todo o percurso (5 km) a correr, em 24 min. Cada desafio superado é, para mim, motivo de celebração.
- Como te sentes agora?Há dias, quando passei a barreira dos 60 kg perdidos, o meu treinador deixou-me um comentário no Facebook, que acho que resume tudo o que estou a sentir neste momento:
“ Aumentaste 60,1kg... De saúde, auto-estima, auto-confiança, de beleza, de alegria... Enfim... Começam a haver poucos elogios para adicionar... É duro? Pois é... Exige trabalho? Muito... É fácil? Não é... Qual o segredo? Estar sempre pronta a arregaçar as mangas e dar sempre o máximo! Na parte que me toca também ganhei 60kg... De orgulho! Vamos lá”.
Ora aqui está, continuo empenhada e cada vez mais cheia de vontade de prosseguir esta saga contra os quilos a mais.
Sinto-me mais bonita, mais segura de mim mesma, mais capaz. Sinto-me uma vencedora e orgulho-me de cada conquista.
Sinto-me uma atleta, saudável e cheia de energia. Sinto que, desta vez, ao contrário do que aconteceu nas dietas anteriores, não haverá recuos, porque consegui adquirir hábitos de vida saudáveis.
Sinto-me muito feliz!
- Onde te vestias e onde te vestes?Só conseguia arranjar roupa à minha medida na C&A e na H&M. Agora visto-me em qualquer loja, dita normal.
- O que mudou em ti, por dentro?A sensação de frustração já não existe. Hoje sou uma mulher confiante. Sinto-me uma guerreira…vitoriosa.
- Sentes muita diferença no tratamento das pessoas? Fala-me disso. Não noto grande diferença a esse nível.
As pessoas que me rodeiam e que têm acompanhado todo este processo, vêm ter comigo a dar-me os parabéns e a demonstrar o seu respeito e admiração. E isso dá-me mais alento e incentivo para continuar.